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CASA DAS MEMÓRIAS

 

O objectivo da Casa das Memórias é resgatar a história do Convento dos Franciscanos e recordar a presença dos seus habitantes. O discurso é apresentado de forma assumidamente paradoxal: relembra um passado afecto aos séculos XVII, XVIII e XIX, mas transmitido aos visitantes numa linguagem contemporânea. Porque a Memória não é Passado, mas sim o que pensamos ser esse Passado no Presente.

Esta narrativa decorre em três tempos distintos: num Passado que é visualizado no Presente e que ficará para Memória futura. E decorre ainda num espaço específico: duas salas que recordam crenças, devoções, práticas, afectos, alegrias, dores e misérias. Afinal, tudo o que é Património em todas as Casas que guardam Memórias.

Na Primeira Sala, o visitante pode apreciar a Memória de Longa Duração: a forma como o Convento de Santo António evoluiu desde a sua fundação até à atualidade e os principais vectores de orientação deste Convento. Aqui, a narrativa é liderada por São Francisco de Assis, fundador da Ordem franciscana, memorizado pelo Tau e pelo hábito castanho.

O Tau é a mais antiga figuração em forma de cruz, correspondendo à última letra do alfabeto hebraico e à décima nona do alfabeto grego, similar ao “T” na língua portuguesa.

De forma simbólica, o Tau é a convergência de dois opostos: verticalidade e horizontalidade; céu e terra; bem e mal; divino e humano…

A partir de 1215, São Francisco de Assis assumiu o Tau como símbolo da sua própria vida e sensibilidade religiosa, repleta de confronto entre a Vontade dos Homens e a Vontade Divina.

A tradição do enterramento em espaço sagrado arreigou-se profundamente na Europa cristã e os Açores foram, naturalmente, herdeiros desta prática funerária. Nesta vertente, tal como os demais edifícios religiosos, os Conventos tinham uma dupla utilidade: apaziguavam as almas dos fiéis ao longo da vida e salvaguardavam os seus corpos, enterrando todos os que desejavam continuar a receber o beneplácito de Francisco de Assis após a morte, como ilustra a representação do hábito castanho que protege a Urna.

As covas funerárias do Convento de São António encontravam-se no interior da Igreja e do próprio Convento. Identificaram-se alguns lagoenses que pediram para serem enterrados neste Convento, mas desconhecemos a localização exata dos seus restos mortais. A sua Memória fica registada nesta Urna, individualizando-se os seus nomes, sexo e condição social, de acordo com os parâmetros da Sociedade da época.

Inseridos na Ordem Religiosa seguidora da Regra Franciscana, os Frades lagoenses eram obrigados ao cumprimento de três votos solenes, simbolicamente espelhados nos nós que amarram os cordões dos hábitos franciscanos.

Voto da Pobreza respeita o espírito mendicante de São Francisco de Assis, garantindo-se a sobrevivência através do trabalho pessoal e na aceitação de esmolas e doações. A valorização dos bens espirituais em detrimento dos bens temporais espelha-se na simplicidade das vestes e do calçado. Todavia, vivendo na transição do século XII para o século XIII, Francisco de Assis assistiu ao fortalecimento da Civilização Material. Em torno do Trono Celeste, esta Civilização observou o enriquecimento de tronos políticos, económicos, sociais e culturais, cuja Memória alcança os nossos dias.

O Voto da Castidade segue o paradigma da vida de Jesus. Por isso, a Castidade não é enquadrada apenas na linguagem corporal, mas igualmente no discurso moral e na ética do bem cristão. Nesta versão contemporânea, Vénus, deusa do Amor e da Beleza, não perdeu os braços, utilizando-os antes na proteção dos seus tesouros físicos e morais castamente guardados com um cinto cuja chave está perdida. É Virgem esta Vénus, ingénua no corpo e na mente, com o seu vestido de noiva branco. Resguarda-se do olhar da Luxúria que está sentada no seu cadeirão vermelho-sangue, cuja Memória alcança os nossos dias.

O Voto da Obediência espelha a submissão da Criatura perante o Criador. Numa Civilização dominada pelos “maiores”, é volumosa a menoridade. Na última escala da menoridade residem os inferiores, onde habitam muitos de nós, vestidos de batas (recordando a componente educativa dos Franciscanos) pretensamente homogéneas e só diferenciadas por nomes, obrigados a votos diários de obediência. À nossa frente, a ameaça do castigo físico e da humilhação psicológica, ajoelhados perante a omnipotência da Sociedade contemporânea que não admite desobediência nem desobedientes, pois a Punição é uma Memória que alcança os nossos dias.

Depois da década de 1830, a Igreja ficou sob a posse da Ordem Terceira franciscana e o espaço conventual foi sendo descaracterizado ao longo do tempo, primeiramente pela instalação de serviços municipais e financeiros, a partir da década de 1870.

No século XX, o antigo convento albergou Escolas primárias e o seu refeitório transformou-se em Tribunal do Julgado Municipal da Lagoa. No decurso da Primeira Guerra Mundial, o Convento serviu de quartel militar e, a partir de 1960, a antiga área conventual continuou a ser usada para fins diversos: acolheu Escolas; um Centro de Educação Familiar; a Polícia; o Agrupamento de Escuteiros 1290; o Grupo de Jovens “Associação de Santa Cruz”, servindo igualmente de arrecadação à Câmara Municipal. Mais recentemente, tornou-se sede honorífica da Santa Casa da Misericórdia de Lagoa e espaço logístico da Junta de Freguesia de Santa Cruz de Lagoa, particularmente para apoio às festas em honra de Santo António, que ainda hoje decorrem no concelho de Lagoa, durante o mês de Junho.

Finalmente, a 5 de Outubro de 2011, o Convento de Santo António reforçou uma das funcionalidades primordiais: a ligação à arte, ao ensino e à cultura, tornando-se anfitrião da Biblioteca Municipal o Professor, Pintor e Escritor Tomaz Borba Vieira, figura incontornável da cultura contemporânea, desde há muito ligado ao concelho de Lagoa.

Na Segunda Sala, o visitante é convidado a apreciar a Memória de curta duração, onde se salientam os atos do quotidiano conventual.

Ensinar

Os Frades lagoenses ensinavam Português, Latim, Filosofia, Retórica, Teologia, Música e Canto-chão. As aulas decorriam de manhã e de tarde e os estudantes tinham uma refeição diária que decorria no Refeitório conventual. Cada estudante pagava ao Convento meio moio de trigo, um quarteiro de trigo e um carro de lenha por ano.

Trabalhar

A ligação ao sector primário era fundamental para garantir a sobrevivência da Comunidade religiosa. À volta da Igreja e do Convento localizava-se a zona produtiva, fortalecida pelo abastecimento de lenha, carregada em carros de bois que entravam no espaço conventual em portão próprio; e de água doce, que tinha no poço localizado no centro do Claustro a sua área crucial, hoje em dia já desmantelado.

Orar

No quotidiano dominado pela horas canónicas, a oração ocupava uma parte importante do dia, que terminava com o pôr do sol. Cânticos, rezas e orações tinham o único propósito de louvar a Deus, as suas criaturas vivas e aquelas que já não usufruíam de vida terrena.

Pouco se sabe sobre a alimentação em conventos masculinos nos Açores. O calendário litúrgico seria precioso para definir os alimentos a consumir, nomeadamente distinguindo as refeições dos dias de guarda das ingeridas no quotidiano. Sem dúvida, pão, azeite, vinho, frutos da época, legumes e hortaliças eram complementados com carne e pescado, com que frequentemente este Convento era nutrido. Desconhecemos se, à semelhança dos mosteiros femininos, a doçaria seria produzida ou consumida com frequência. O que sabemos de certeza é que as necessidades alimentares eram os elementos que fortemente determinavam a organização espacial do Convento, dividida em quatro áreas específicas:

  • A zona de abastecimento, caracterizada pelas hortas e demais criação agrícola e animal, para obtenção de frutos, hortaliças, galinhas, porcos, etc. Parte desta área corresponde ao atual Jardim, inaugurado pela Câmara Municipal da Lagoa em 1897;
  • A área de transformação, centrada na área da cozinha, realçada pelas amplas chaminés ainda hoje visíveis neste Convento;
  • A zona de armazenamento de víveres, a dispensa, complementada pela área onde se localiza hoje a Casa das Memórias, antiga adega conventual;
  • As áreas de consumo, suportadas por duas fontes enérgicas fundamentais: a água, para limpezas e consumo doméstico; e a lenha, para a cozinha e aquecimento das celas conventuais.

Para os que viviam fora dos muros do Convento, a vida religiosa provocava sempre alguma admiração e suspeição. Era um espaço respeitado, repleto de mistérios, dando azo a estórias e histórias, muitas das quais somos herdeiros. Uma das Memórias que chegou até aos nossos dias é a utilização de um velho túnel do Convento de Santo António, através do qual os frades fugiriam de ataques ou procurariam dar guarida a gente perseguida por motivos diversos.

Suspeita-se que este túnel, que passa pela antiga adega, dará acesso à costa marítima lagoense, mas no presente não é possível efetuar o percurso. Fica apenas a Memória da sua existência.

Horário:
Terça a sexta feira: 10h00 - 13h30 / 14h30 - 18h00.
Sábado: 10h00 - 16h00.

Restantes dias: marcação prévia para o número 296 912 510 / 296 960 600.

Contactos:
Convento dos Franciscanos
Rua de Santo António s/n
9560-075 Lagoa (Santa Cruz)
Telefone: 296 912 510
Fax: 296 912 512
e-mail: biblioteca@lagoa-acores.pt

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