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IGREJA MATRIZ DE SANTA CRUZ

IGREJA MATRIZ DE SANTA CRUZ

Património cultural e força motriz da vivência cristã santa-cruzense
 

“Tem esta vila uma bem assombrada Igreja Matriz, de naves da advocação da Santa Cruz, cuja festa se celebra duas vezes no ano, uma, dia da Invenção, outra, da Exaltação da mesma Cruz”.

É assim que Gaspar Frutuoso descreve, numa de suas obras, a Igreja Matriz de Santa Cruz. A Igreja Matriz de Santa Cruz representa um templo de fervorosa devoção religiosa do século XVI, embora a sua atual configuração date do século XVIII. Trata-se de um bonito espaço interior de três naves com altar de talha barroca. Referência para as abóbadas da capela-mor e da capela do Santíssimo, ambas em estilo manuelino. Igualmente digno de nota é o púlpito com a data de 9 de outubro de 1782, que veio do Convento de São Francisco, de Ponta Delgada e cujo dossel é um trabalho admirável. O relógio da torre, vindo de França,  começou a funcionar em 24 de outubro de 1909.

Segundo alguns historiadores lagoenses, terá sido um indivíduo chamado Rodrigo Afonso, o impulsionador da primeira edificação da Igreja de Santa Cruz. Foi ele que cedeu 62,5 alqueires de terra para o espaço onde se construiria a Igreja de Santa Cruz, sito a Pico da Pedra, território hoje conhecido como terras de Santa Cruz. Em 1518, as bases da Igreja de Santa Cruz encontravam-se bem fundamentadas, contudo, no decurso da primeira metade do século XVI, a Igreja de Santa Cruz deveria ainda ser um espaço limitado, pois sabe-se que em 1526 só tinha um cura, o padre Sebastião Fernandes.
Desde então, a população cresce e, em 1555, a igreja já tinha como sacerdote, o padre João de Évora, o primeiro pároco da paróquia. Provavelmente, a primeira edificação da Igreja de Santa Cruz, apadrinhada por Rodrigo Afonso, na segunda metade do século XV, terá sido destruída ou reedificada para dar lugar, a partir do século XVIII, a um espaço religioso mais imponente, uma Matriz que correspondesse à dignidade da população cristã que aí vivia, mas também de todos os fiéis que passavam pela Lagoa, designada na altura, como “o coração da ilha”.
No século XVII, a Igreja de Santa Cruz já se tornara uma instituição de grande poder na malha concelhia. Nesta altura, o franciscano frei Agostinho de Montalverne refere que a Matriz já tinha um vigário, um cura, quatro beneficiados, responsáveis pelos cânticos eucarísticos, um tesoureiro e um organista. Foi com este organograma que a Matriz se manteve até ao século XIX, apenas vendo o seu pessoal acrescido com um mestre-de-capela e um pregador, duas figuras que bem ilustram a dignidade e poder da igreja. Com o decreto de 17 de maio de 1832, os serviços religiosos ficaram a depender unicamente de um vigário e de um cura. Quatro anos depois, com o decreto de 31 de dezembro de 1836, os bens da igreja passaram para a administração da Junta da Paróquia.

Entretanto, a Igreja Matriz de Santa Cruz, já passara por diversas transformações, quer no seu interior, quer no seu exterior. No século XVI, edificaram-se as abóbadas da capela-mor, em estilo manuelino. Além do mais, a Matriz tinha os altares de Santo António, São Pedro, Nossa Senhora do Rosário e Bom Jesus, retirados e substituídos, em 1844, pela imagem de São José; Nossa Senhora da Conceição, substituída no século XIX, por Nossa Senhora de Lurdes, uma oferta do Padre João José Tavares; e ainda o santo São Sebastião.
No século XVIII, foi fundado o altar de São Miguel, cuja imagem foi depois mudada para o altar-mor; o altar do Senhor dos Passos, de grande devoção, e ainda se colocou o púlpito, que veio da igreja do antigo convento de São Francisco de Ponta Delgada. Estas transformações no interior da igreja foram acompanhadas por múltiplas obras de conservação e reedificação. As primeiras decorreram logo entre 1583 e 1586.
Em 1813, são executados novos reparos na capela-mor, realizados com telha, que veio de propósito de Santa Maria. Em 1844 foram levantadas a atual frontaria e torre. Todas estas transformações não alteraram a magnificência desta igreja que, por alvará régio de 27 de novembro de 1895 foi elevada à dignidade de capela real. O fim da Monarquia e a implantação da República em 1910 extinguiram esta distinção, mas a Matriz de Santa Cruz sobreviveu até aos nossos dias acompanhando as múltiplas vicissitudes políticas, económicas e sociais da época contemporânea.

 

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