MENU
Instale a nossa App
 » IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

A IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

Presença visível e palpável das vivências religiosas e culturais de um povo
 

A religião ocupa um lugar de destaque, não só na Lagoa, como obviamente também na freguesia do Rosário. Para isso, basta tomarmos atenção ao nome completo que foi dado à localidade: freguesia de Nossa Senhora do Rosário. Um nome de batismo claramente religioso. O sociólogo Francisco Carmo no seu livro Inovações, Mudança Social e Factor Religioso – Estudo Sociólogo na ilha de São Miguel (Açores) explica-nos melhor esta realidade religiosa “ A Religião Católica, maioritária ainda na População açoriana, é um fator sociocultural, típico, sem o qual não se pode entender a fisionomia das suas gentes. A igreja diocesana cobre (desde sempre) com as suas paróquias, servidas pelos respetivos párocos, toda a área geográfica habitada. A Igreja, de facto, marca, desde sempre, “uma presença visível e palpável nos Açores, designadamente em São Miguel”. Um exemplo dessa presença visível e palpável de devoção religiosa por parte do povo lagoense e, como é evidente, por parte da freguesia do Rosário, reflete-se no seu património imóvel cultural e religioso, designadamente, na imponente igreja de Nossa Senhora do Rosário. A primeira igreja foi construída sobre uma ancestral ermida do século XVI, conforme nos referem as notas do Padre João José Tavares no seu livro A Vila da Lagoa e o seu Concelho. A Igreja atual, de construção mais recente, datada do século XVIII, é um amplo e harmonioso edifício composto por três naves. Possui ainda um notável conjunto escultórico da autoria do Mestre Machado de Castro.

Para se compreender todo o valor que este monumento emana é necessário também conhecer-se um pouco da história, factos e acontecimentos que levaram à sua fantástica construção. Como já acima se referiu, a igreja inicial foi construída sobre uma ermida. Esta ancestral ermida, dedicada a Santa Maria do Rosário da Lagoa, foi edificada no século XVI, por Álvaro Lopes do Vulcão, no antigo sítio do Porto dos Carneiros, no mesmo sítio onde está hoje a igreja paroquial. Alguns anos mais tarde, por alvará Régio de 5 de Abril de 1593 e carta do bispo D. Manuel de Gouveia, o lugar do Porto dos Carneiros foi elevado à categoria de paróquia, servindo a ermida de igreja paroquial, tornando-se, desta forma, independente da igreja de Santa Cruz. Ao longo dos anos esta antiquíssima ermida sofreu várias reformas e melhorias com o objetivo de a tornar numa genuína igreja paroquial. Neste sentido, o visitador Manuel de Brito, vigário da Matriz da Ribeira Grande, que a visitou a 25 de Setembro de 1596 mandou fazer uma capelinha no lado norte da ermida, junto à porta principal para a pia de batizar e no lado sul, um campanário para dois sinos. Esta capela foi mandada ser reconstruída, uma vez que a anterior se encontrava bastante devastada. Esta ordem do visitador, porém, não terá sido cumprida e, alguns anos mais tarde, a 26 de Outubro de 1602, o Bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral, tendo verificado que não se tinham feito tais melhoramentos, por a ermida ser de administradores que impediam a obra, resolveu mandar fazer uma igreja no sítio onde se encontrava a outra, pois para isso, os ditos administradores deram consentimento. O mesmo bispo ordenou que se colocasse uma proclamação da obra da capela-mor, sendo a que o tamanho total da igreja devesse a ser de modo a que desse bom acolhimento aos fregueses e que fosse na proporção da capela. Deu ainda instruções para que se fizesse o campanário e a capela para a pia batismal, como antes se tinha acordado. O projeto, embora envolvido entre inúmeros obstáculos, acabou por ser concluído com a construção da torre e do adro da igreja, a 20 de maio de 1665, por ordem do visitador Manuel Álvares Cabral. Porém, um século mais tarde, após a sua edificação, a 28 de fevereiro de 1743, D. frei Valério do Sacramento informa do estado degradado da igreja: o altar de Sant’Ana encontrava-se destituído de todo o ornato, o que fez com que as autoridades desistissem de apoiar definitivamente a existência desta primeira igreja paroquial. Era necessário proceder à construção de um novo templo – o atual templo em honra de Nossa Senhora do Rosário. Pôs mãos à obra, o Padre Manuel Raposo da Câmara, que dela havia tomado posse como vigário em dezembro de 1764. O velho templo foi por fim demolido em 1765. E em janeiro de 1767 começavam as obras que demorariam até abril de 1772. A 16 de janeiro de 1773, o Padre Manuel Pacheco Raposo benzeu a nova igreja e para lá transladou o Santíssimo Sacramento. A construção da torre sineira, todavia, só se verificou a 19 de junho de 1782. Verifica-se ainda a o registo de alguns objetos de prata – do Rio de Janeiro, Brasil, em 1765, chegou uma coroa de prata dourada da imagem de Nossa Senhora do Rosário e outra também de prata para o menino que a imagem de Nossa Senhora acolhe nos braços. A concha de batizar chegou de Lisboa em agosto de 1796 e a cruz de prata em outubro de 1800, por mando do cura João José de Sousa Correia. Ao longo dos últimos dois séculos foram-se verificando restauros e melhoramentos na igreja de Nossa Senhora do Rosário. Por outro lado, o templo recebeu alguns equipamentos que melhoraram a liturgia. É o caso do primeiro órgão que foi cedido pelo Governo que veio da igreja de São Francisco da Ribeira Grande. Mais tarde foi substituído por outro adquirido na Alemanha, um órgão de tubos, considerado um dos mais notáveis das ilhas dos Açores. Diga-se o mesmo do relógio da torre, que dá quartos e horas, construído por Luís de Sousa Vasconcelos, de Ponta Delgada. Além disso, para embelezar a igreja fez-se um guarda-vento, comprou-se um palio branco bordado a ouro, compraram-se grandes lustres de vidro e dois pontificais, sendo um branco de ramos amarelos e um preto com respetivos frontais de altar-mor; adquiriu-se a imagem do Sagrado Coração de Jesus para a qual se fez o altar e o retábulo dourados; de Paris, chegou a imagem de Santo Antão; repararam-se e douraram-se os altares do Espírito Santo e das Almas; fez-se um pavilhão e um frontal de altar para a capela do Santíssimo Sacramento de seda branca, bordada de amarelo, e os reposteiros de flanela de lã vermelha para todas as portas. Mais tarde, a igreja sofreu umas pequenas mudanças, quando no tempo do vigário José Jacinto Raposo Moreira fez-se um retábulo do Santíssimo e adquiriu-se um novo frontal de altar e pavilhão de seda branco, bordado a ouro. Em 1916, o pároco da altura, restaurou a capela-mor e o altar de Sant’Ana. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, para além das singularidades já referidas, também tem em seu poder um espólio bastante interessante de altares consagrados a imagens de vários santos, ao abrigo do seu interior: o altar de Santo Agostinho, que ao tempo do Padre João José Tavares se encontrava na capela da pia batismal foi tirado do Porto dos Carneiros e recolhido à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, sendo a imagem restaurada e posteriormente exposta ao público; o altar das Almas, situado no lado norte da igreja foi instituído pelo cabido da Sé de Angra; o altar de Sant’Ana, situado ao lado da epístola na capela-mor, tem um grupo composto por três esculturas: São Joaquim, Santa Ana e Nossa Senhora do Rosário. Foi o terceiro altar da igreja edificado no lugar da primitiva ermida de Nossa Senhora do Rosário; a imagem de Santo Antão venera-se num dos nichos da capela-mor da igreja do Rosário e foi feita em Paris; o altar de Bom Jesus, também conhecido pelo altar do Nome de Deus; o altar do Sagrado Coração de Jesus que fica no lado sul da Igreja do Rosário. A imagem foi adquirida no ano de 1888 e feita na cidade do Porto pelo escultor José Soares de Oliveira; o antigo altar do Espírito Santo é aquele onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Soledade e, por último, a imagem de São José que se encontra num dos nichos do altar-mor. Saliente-se que foi adquirida pelo pároco Padre João Furtado Martins.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário revela-se um importante símbolo religioso da vivência cristã do povo de Lagoa e principalmente da freguesia do Rosário. Este bonito templo representa séculos de um espólio patrimonial de valor inestimável que a autarquia da Lagoa tem interesse em preservar, uma vez que compreende que esta rica herança simboliza a memória de um passado, a vivência do presente e o resguardo cultural de um futuro inovador.

Imprimir
Imprimir
Recuar
Recuar
Avançar
Avançar
Calendar
Title and navigation
<<<Dezembro 2017>>>
Dezembro 2017
dstqqss
262728293012
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31123456

Ver mais
OPJ 2017
Lagoa Investe
Avisos
Leituras de Água
Editais da Câmara
Ver Links Úteis
2015 Câmara Municipal de Lagoa-Açores. Todos os direitos reservados